O Fundo

 

Chamam-me Lay, mas por nome sou Laiane. 

Trago em mim histórias que o tempo não apaga, marcas que poucos conhecem, e, para muitos, talvez não importe — pois ninguém calçou os passos que trilhei, ninguém sentiu na alma o peso que carreguei.

Não falo por ouvir dizer, minha dor não é lida em livro, é vivida na carne, no espírito, no silêncio da noite.

Dessa bagagem que me formou, não trago só teoria, mas verdade pulsante. E agora, desejo transmutar esta dor em arte, fazer dela um manual de socorro, um atalho de luz para os que ainda tateiam na escuridão."

"Eu sei como é estar no fundo."

É difícil explicar... parece que tudo dentro de mim apagou. É como se eu estivesse trancada dentro de mim mesma, presa numa escuridão sem fim. A depressão não é só tristeza — é um vazio que engole a alma. É acordar e desejar não ter acordado. É sentir um peso no peito que ninguém vê, mas que está sempre lá.

A angústia... ah, essa é uma dor que não tem forma. Ela aperta o coração sem avisar. Vem em ondas, sufoca. Dá vontade de fugir de tudo — até de mim. Quantas vezes me escondi no silêncio, sorrindo por fora e gritando por dentro? Quantas noites chorei sem saber exatamente por quê?

É como caminhar em um túnel escuro, sem ver a luz no fim. Como se eu estivesse sozinha, mesmo cercada de gente. Como se minha vida tivesse perdido o sentido, o sabor, o brilho.

Mas sabe... um dia eu percebi que não precisava continuar ali.

Não foi fácil. Foi um passo de cada vez. Foi pedir ajuda. Foi falar, mesmo quando minha voz tremia. Foi olhar pra mim com um pouco mais de compaixão. Foi buscar Deus, buscar apoio, buscar a mim mesma de novo.

Descobri que há vida além da dor. Que dentro da escuridão também pode nascer luz. Que mesmo quando tudo parece morto, algo pode florescer — com tempo, com cuidado, com fé.

Hoje eu sei: é possível sair. É possível respirar de novo. É possível reencontrar a alegria, mesmo que aos poucos. Não é mágica, é processo. Mas é real.

Se você está nesse lugar escuro agora, quero te dizer: você não está só. E isso que você sente agora... também vai passar.



Por Lay Nunes — alma que escreve com cicatrizes e sementes


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